terça-feira, 5 de agosto de 2014

Mocotó gaudério


O mocotó (palavra originária do termo tupi-guarani m’bo-coto ou mão-de-vaca). É um dos pratos mais apreciados pelo povo gaúcho além de ser muito nutritivo. Nosso frio rigoroso pede uma alimentação mais rica em calóricas. Dizem que este prato nasceu na mesa dos escravos. Em nosso estado, Rio Grande do Sul, naquela época, era grande criador de gado, e, por esse motivo, tinha por aqui grandes abatedores para produzir o charque. As partes nobres eram separadas e destinadas ao preparo do charque (carne seca, ou carne salgada) bem como, àquelas destinadas às mesas dos senhores. O restante das partes “não nobres” e desossadas do animal, como as patas, bucho e tripa, por exemplo, eram descartadas. Assim, os escravos utilizavam estas partes para seu sustento e complemento alimentar, fazendo uma espécie de fervido com água e sal. Contam as lendas que esse aroma peculiar se espalhava pela fazenda, chegando a casa grande e atiçando aos senhores o desejo de experimentar aquele fervido. Quando se olha para o mocotó, tem-se a impressão de ser um simples caldo, mas quando se prova, o sabor é indescritível. É impressionante como um caldo de aparência tão simples possa ser tão saboroso. Essa é uma versão popular da origem do mocotó.
Esse prato costuma ser muito esperado quando o inverno se aproximava aqui no sul do país. Não sei o por que de nós comermos mocotó somente uma vez por ano. No início do inverno, meu pai matava uma vaca e fazia charque de toda carne para passar a estação fria. Tudo tinha que ser salgado, pois naquela época em nossa região não tínhamos luz elétrica. E a única geladeira que tínhamos era a querosene. Meu pai só ligava ela em certos momentos e para conservar poucos alimentos, pois a “querosena”, dizia ele, era artigo de luxo. Toda a família se envolvia e ajudava na carneação. Separar a carne e limpar os miúdos para mais tarde salgar. E o mais terrível de todos os trabalhos, limpar o “bucho” da vaca e as tripas para fazer o famoso mocotó. E vocês sabem para quem sobrava essa tarefa? Para os mais novos e as mulheres, é claro. E eu, estava sempre no meio. Essa limpeza consistia em raspar o mondongo “bucho” a tripa grossa e a tripa fina. A tripa fina era usada para fazer a linguiça. Bem, esse assunto merece, e mais tarde, farei um post.

Mocotó
02 patas de boi;
1kg de bucho;
1kg de linguiça;
500 gramas de feijão branco;
cebola, alho, pimentão, tomate e sal a gosto.
Esse prato fiz em 3 dias. Primeiro dia cozinhei a pata e tirei os ossos. Depois coloquei numa panela e congelei. No outro dia, cozinhei o bucho, lavei e cortei em tirinhas. No terceiro dia cozinhei o feijão branco. No dia que íamos servir, fritei a linguiça e fiz um molho e misturei tudo. Deixei ferver por um tempo e servi.
Patas de vaca





Bucho


O restante do processo esqueci de fotografar.



















Essa é uma torta de limão que minha sobrinha trouxe para enriquecer nosso almoço. Brinquei com ela que estava muito boa para ter sido ela que tenha feito. Eu acho que ela comprou. Nunca vi essa guria fazer essas coisas. Hahaha...  Essa é minha sobrinha e companheira Flavia. Eu era criança quando ela nasceu. Eu queria sair para brincar com minhas amigas e ela sempre correndo atrás de mim. Tinha que fugir e quando eu estava quase chegando na casa da Laura minha querida e inseparável amiga de infância, olhava para traz e lá vinha ela, correndo pelo campo. Fugia da mãe e me seguia. Tinha que voltar para levar ela pra casa. Assim passei minha infância, tendo que levar na garupa a Flavinha. 


Torta de limão

Massa:- 2 xícaras (chá) de farinha de trigo;
- 4 colheres (sopa) de gordura vegetal ou manteiga;
- 1/2 lata de creme de leite;
- 1 pitada de sal;
- 1 colher (chá) de fermento em pó.

Recheio:
- 1 lata de leite condensado;
- 5 colheres de suco de limão;
- 1/2 lata de creme de leite;
- 1 colher (sopa) de raspas de limão.

Cobertura:
- 2 claras;
- 4 colheres (sopa) de açúcar;
- açúcar para polvilhar.

- Modo de preparo:

Massa:
Peneire a farinha, faça uma cova no centro e coloque a gordura vegetal, o creme de leite, o sal eo fermento. Misture-os comas pontas dos dedos, juntando a farinha até que seja toda incorporada à massa e que solte completamente das mãos. Deixe descansar por cerca de 30 minutos na geladeira. Abra a massa, forre uma forma de aro removível (25cm de diâmetro), fure o fundo com um garfo e asse em forno quente (220ºC), por cerca de 20 minutos. Enquanto isso, prepare o recheio e a cobertura.

Recheio:
Misture bem o leite condensado com o suco de limão até que adquira consistência de creme. Incorpore o creme de leite e as raspas de limão.

Cobertura:
Bata as claras em neve, junte aos poucos o açúcar e continue batendo até obter um merengue bem firme. Recheie a torta com o creme de limão, cubra-o com o merengue, polvilhe açúcar e volte-a ao forno fraco (150ºC), por cerca de 10 minutos, apenas para dourar o suspiro. Deixe esfriar antes de servir.







Até a próxima se Deus quiser...

 Anajá Schmitz

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Memórias de um doble chapa V

Mi MADRE

Minha Mãe! Eu sou suspeito para elogia-la. Ela era muito especial. Não era do tipo de ficar lambendo a cria, meu queridinho, meu amorzinho, pois era uma camponesa trabalhadora. Seu amor não era coisa de toque mas de senti-lo em nossa alma, pela sua solicitude, pela sua preocupação com o nosso bem estar. Papai as vezes sumia em função de suas atribuições na policia rural, investigações, incursões, etc. No início não tínhamos eucaliptos em casa para fazer madeira para manutenção de cercas e fazer lenha. Lembro-me que um vizinho nos cedia um mato de eucaliptos para abastecer-nos de lenha. Mamãe juntava a filharada pegava um machado e cortava os galhos secos, amarrávamos e prendíamos na chincha da égua marchadeira arrastando até nossa casa. A Mãe, se o pai não se encontrava, ela plantava, arava a terra, capinava de enxada, cortava lenha para o fogão a machado, era uma guerreira. Não me lembro de tê-la visto ir a uma diversão, nem a um baile, porque não tinha roupa adequada. Papai é que levava as filhas nos bailes. Quando nos levava na propriedade da comadre Estefânia para comermos pitanga, parecia uma galinha com seus pintinhos. Mas era nossa diversão máxima comer pitanga no mato, mamãe comia poucas, ficava o tempo todo colhendo para levar e fazer seu licor para as visitas. Visitava muito nossa tia Albertina (Bita) que era sua irmã e terminou de se criar em sua casa em função da orfandade, o marido de tia Bita era primo de papai por isso esses primos eram como irmãos. Pertinho da casa da tia Bita morava a tia Mindoca, irmã de papai, sempre sorridente sabia agradar uma criança, na outra extremidade que era o pequeno campo da vovó Celina morava a tia Felizarda esposa do tio Oriovaldo irmão de papai. As três casas reuniam um bando enorme de primos pois as famílias eram todas numerosas. Os demais primos praticamente não os conhecia pois moravam longe. Quando mamãe os visitava ia de charrete com as filhas e nos garotos tínhamos de ficar em casa, pois não havia lugar na charrete. Minha irmã mais velha Francisca (Chica) estudava no colégio interno de freiras o que custava caro para papai, quando ela terminou foi a mais moça: Francelina (França). A Irmã do meio Eny (Negra) fez um curso de costureira. Mamãe fazia doce em um tacho de cobre no fogo de chão. Certa feita em nosso cercado (roça) colheu-se uma quantia enorme de melancias, ela teve a ideia de fazer melado, cada 20 litros de caldo de melancia transformava-se em evaporando-se transformava-se em 2 litros de melado. Mas era bom! Como dizia um amigo: - bom como dinheiro achado dia de chuva dentro de um saquinho plástico. Agora se escandalizem! Dia de marcação era uma festa! Marcavam-se os terneiros com uma marca quente de ferro em Brasa. Era e é um instrumento de identificação do proprietário do animal. Junto com um sinal na orelha feito a faca, esse sinal também servia de identificação. Os terneiros machos ainda sofriam mais pois eram castrados. Os testículos eram jogados na fogueira onde se aquecia a marca, depois jogados em um recipiente com salmoura e a seguir degustados. Mamãe fazia uma tortilha com rodelas do ditos cujos, ela não comia, mas nós nos fartávamos. Por que o espanto? Comer testículos bovinos assados na brasa é um costume tradicional nas pradarias do sul do Brasil...


Na próxima sexta-feira, segue mais recordações de um doble chapa.
                                                                           Escrito por Nelcy Cordeiro











Até a próxima se Deus quiser...

 Anajá Schmitz

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Uma pausa para a saudade....


Hoje vamos viajar na poesia e na decoração de lindos blogs que visitei. Quando se fala em tapera me vem a memória a casa da Dona Chinoca e do falecido Dudu. Essa morada era em Solidão-RS, eramos vizinhos. Para ir para praia do Farol da Solidão, tínhamos que passar em frente a casa dela. Ainda está lá a espera de quem passa, uma baita figueira.  Sempre parávamos a sombra daquela frondosa árvore para comer figo. Me dava uma tristeza infinita mirar aquele abandono. Como tantos, eles se foram para cidade deixando para traz sua vida no campo, levando na bagagem somente as lembranças. Lá ficou solenemente a história da família que ali viveu, e o restos, abandonados campo afora. 

Poesia Tapera de Chico Ribeiro.

Sem porta e sem janelas, da cumeeira,
Tirou-lhe o vento há muito o santa-fé;
É o esqueleto - o que sobrou pra história
Do velho rancho - é o esqueleto em pé!

A dois passos - a clássica figueira,
Com seus poemas de sons, pela ramada;
Lembrando alguém, que vive pela glória
De recordar saudades e mais nada...

E o resto! O resto... é morto, não existe,
O próprio chão da grama se ressente,
Nem um palanque se descobre mais...
Apenas a figueira inda resiste:
- Há de ficar... pra transmitir à gente,
Do extinto rancho, amigo, os funerais!...

terça-feira, 29 de julho de 2014

Presentes de BH


Olá, queridos amigos e amigas. Hoje venho compartilhar mais uma grande alegria. Esse espaço tem trazido muitas felicidades e grandes amizades. Um casal de Belo Horizonte, leitor de nosso blog, nos presenteou com muito carinho e lindos mimos. Outro dia postei nossa plantação de pimentas e esse adorável casal, vendo nosso gosto pela pimenta, nos enviou um molho de pimenta espetacular, feito em sua região e também doces regionais. Junior, do blog JLX Consultoria, e sua esposa Lucélia, vocês não imaginam nossa felicidade ao receber esse carinho. Obrigada! E assim o blog Minha vida de campo, nos proporcionou conhecer um lindo casal e também a certeza de mais uma grande amizade.







O molho de pimenta virou parceiro do Alfredo. Diz ele que é melhor que o molho de pimenta TASCO. Até no doce ele experimentou! 

Até a próxima se Deus quiser...

 Anajá Schmitz


sexta-feira, 25 de julho de 2014

Memórias de um doble chapa IV


O RANGO
 Até hoje tenho saudades daquela comidinha da mamy. Era feijão e arroz com guisado de carne na maior parte das vezes, às vezes massa, na época de frutos da lavoura então era enriquecido. Feijão miúdo, moranga, milho verde, aipim. A gente gastava tanta energia nas brincadeiras que na hora das refeições estávamos varados de fome.
Na entrada do inverno carneávamos uma vaca e um porco. Lá estava o Seu Aires ajudando. Tinha uma vantagem carnear na entrada do inverno: A quase ausência de moscas. Fazia-se Charque de toda a carne para conserva-la, Varas de eucaliptos cheias de mantas de charque secando ao sol, após absorverem grande quantidade de sal, era o freezer da época. E varais enormes de taquaras (bambu) de linguiça de carne mista, porco e gado. Contavam que um vizinho colocou uma lata de banha suína a esfriar e esqueceu, seu cão com fome comeu a matade da lata de banha, o que o deixou ansiado do estômago, atiçou o cão nos porcos que haviam furtivamente invadido a sua roça, o cão deitado, mal do estomago, olhou para os porcos e virou a cara para o lado enjoado, não podia nem enxergar porco na sua frente por causa da banha que havia comido.
A comida dos bem pobres era canjica de milho socada no pilão. Minha avó paterna ficou viúva jovem com uma dúzia de filhos, criou-os com milho verde abóbora, batata doce, feijão miúdo. O prato do dia quase que invariável era canjica de milho com graxa bovina e sal, normalmente sem carne. E leite, ninguém era privado deste alimento, em último caso alguém emprestava uma vaca para a sua obtenção. As sobremesas eram doces de batatas, doce de abóbora, de leite, ambrosia. Etc. Também era sobremesa leite com alguma coisa: com batata cozida ou assada, com milho verde cozido, com farinha de mandioca, colava-se de molho no leite e esperavam-se alguns minutos para que ela inchasse, para evitar inchar na barriga. Visita de marmanjo era chimarrão com o velho a sombra do cinamomo, a chaleira preta, volta e meio tinha que retornar ao fogão para requentar a água. Garrafa térmica ainda não existia, quando a inventaram uma senhora viúva. A Rosa do finado Galdino, casando pela segunda vez com meu tio aos 70 anos, ganhou de bodas uma garrafa térmica, não conhecia plástico, e colocou-a em cima do fogão a lenha, ao dar-se por conta só restava a ampola de pé e uma plasta de plástico derretido na base. Visita de mulheres era a charla (prosa) com a mãe e irmãs moças, regada a mate doce na cuia, com bolo, pão caseiro. E o tradicional café da tarde. Um cálice de licor de pitanga, feito em casa é claro. Era costume as visitas deixarem um restinho no cálice, diziam que era de cerimonia. Quando as visitas saiam, nós tomávamos esses restos um por um, um piá do campo dava um olho por algo doce, e aquele licor da mãe era um néctar dos Deuses. Quando a visita vinha passar o dia por certo uma galinha iria sucumbir ao torque do pescoço. Contavam que um sujeito passou mais de trinta dias na casa de um compadre. Todos os dias morria uma galinha para as refeições. Lá pelas tantas o visitante falou que no dia seguinte iria embora, o que causou alivio ao dono da casa que desabafou irritado com aquela visita interminável. Também já comeste todas as minhas galinhas! Sobrou somente o galo. E o cara de pau respondeu. Há! Mas ainda temos o galo? Vou ficar mais um dia!









Na próxima sexta-feira, segue mais recordações de um doble chapa.
                                                                           Escrito por Nelcy Cordeiro


Até a próxima se Deus quiser...

 Anajá Schmitz

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Abrindo o apetite

Olá! Espero que todos estejam bem por ai. Aqui no campo estamos encorrugidos de frio. Nesse tempo ficamos igual a urso hibernando, e comendo muito. Na rua, somente depois das 10 horas da manhã até as 4 horas da tarde. Depois desce um ar gelado que enrijece as juntas. Mas o melhor de tudo é ficar ao redor do fogão a lenha, cozinhando. Na verdade só faço um tipo de prato. Todos aqui em casa, só querem carreteiro. Pra mim é maravilhoso. É fácil de fazer e suja somente uma panela. De tanto fazer virei especialista no carreteiro. Até eu não resisto e acabo comendo demais.   





Essa panela de barro tem história. Algum tempo atrás fomos fazer uma viagem. Saímos sem destino, costeando o mar.  Passamos por Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e quando chegamos em Espírito Santo. Me apaixonei pelas panelas de barro. Imagina comprei tudo que pude carregar. Voltei numa felicidade com minhas panelas. Alfredo vinha que nem cavalo quando solta a rédea, vinha amil pra casa. Quando vimos tinha na BR 101 um quebra mola. Imaginem! A caminhonete saltou aquela barreira. Foi um pandemônio. Era coisas em cima de nós. E minhas panelas? Meu Jesus! Quebrou minhas panelas. Mas não foi só eu quem ficou no prejuízo, também quebraram as molas da caminhonete. Mas não coloquei fora, deixei  no jardim para nos lembrar da viagem.

Muitos de vocês devem conhecer Arroz Carreteiro, é muito fácil de fazer. Esse prato é muito apreciado aqui no Rio grande do Sul. 
Ingredientes

1/2 de carne; sempre compro peito ou agulha sem osso. É uma carne de segunda e tem um gosto muito bom. Tem que ter gordura para ficar bom.
sal a gosto;
1/2 cebola;
1/2  tomate;
1 lasca de pimentão;
01 pimenta sem semente;
tempero verde;
01 xícara de arroz;
03 xícaras de água;

Modo de fazer
Cortar a carne em cubo, e colocar  cebola, tomate e pimentão. Deixe cozinhar até secar a aguá e dar uma queimadinha. Prove a carne se estiver macia coloque o arroz e a água, deixe ferve e abaixe  o fogo.










Até a próxima se Deus quiser...

 Anajá Schmitz