quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Revivendo o acampamento de Bujuru


Há muitos anos desistimos de longas viagens no carnaval. Para nós, esse feriado é nosso único período de férias. Todo ano elegíamos um lugar e lá íamos. Era uma loucura contra o tempo, pois é um tempo curto e queríamos fazer tudo, viajar, conhecer lugares lindos e ainda comer as delícias desses paraísos visitados. Conhecemos lugares e pessoas maravilhosas. Até hoje conservamos as amizades feitas nestes período de férias. Mas hoje em dia preferimos o sossego do Farol da Solidão. E têm tantas coisas para se fazer na praia, uma delas é a pescaria, passamos os dias inteiros a beira mar pescando, tomando chimarrão e conversando. No final da noite vamos todos para o CTG encontrar os amigos e dançar até o dia raiar. Quero compartilhar novamente um post feito do último acampamento que deixou muita saudade. Estamos planejando retornar. Mas já fazem dois anos que acampamos e ainda não conseguimos.  
Sempre em nossas andanças, saímos antes de o sol nascer e vamos apreciando a bela paisagem que vai se transformando cada vez mais bela com o amanhecer. 


Depois de um lindo amanhecer, seguimos admirando a natureza selvagem que nos acompanha até nosso destino. 

Acampamentos de aventureiros como nós, se encontra ao longo do caminho. Cada qual com sua criatividade. Esses, fizeram um boa proteção a seus carros, por causa da forte maresia. 
Seguimos. Fomos pela beira mar por 120 km. Encontramos muitos animais mortos. Essa tartaruga foi ferida por alguma rede dos barco pesqueiro, ou ingeriu algum plástico, que as pobrezinhas confundem com algas e comem enganadas.


 BMtábua.
Esse navio acostou por causa das fortes correntes marítimas há muitos anos atrás. Hoje ele descansa e narra muitas histórias do povo daqui. 





Essa é a localidade de Bujuru. Como podem ver as ruas são de areia solta. Se houver um descuido pode-se atolar. Ai a vizinhança corre para ajudar a desatolar o carro e vira uma festa. Os habitantes são muito hospitaleiros e por ser uma região afastada dos grandes centros eles são muito solidários. São amigos para uma vida inteira.
Chegamos ao nosso destinho. Acampamos neste mesmo lugar há muitos anos. Quando viemos pela primeira vez, meu pai e meus irmãos vieram primeiro. Eu e Alfredo e um primo, juntos com nossos filhos ficamos para trás. Nos perdemos. Não conseguimos encontrar o resto do grupo. Anoiteceu. Nós estávamos de caminhão e a estrada era ruim, decidimos pousar no meio do caminho. Uns dormiram na cabine do caminhão, outros na grama em cobertores. Os mosquitos me torturaram a noite toda. Lá pelas tantas, me irritei fui deitar na areia quente. Me enrolei num lençol e puxei areia por cima para fugir dos mosquitos. Aquela areia quentinha foi um bálsamo e logo adormeci. Me acordei num sobressalto com um homem me cutucano, era um pessoal num trator querendo passar na estrada. Na escuridão da noite eu fiz minha cama no meio da estrada. Por sorte as estradas são de areia solta o que impede a alta velocidade. 



Nosso fogo foi mantido com madeira achada ao longo da praia. Passamos um tempo sem luz elétrica e nem água potável. Aqui nesta zona se fizer um buraco com menos de um metro de profundidade já verte água límpida e boa para se consumir. Também não há existência de nada que possa poluir o solo.
Toda nossas aventuras, só são possíveis pela valentia da nossa camionete  FRONTIER NISSAN, uma companheira inseparável que nos leva aos mais remotos destinos.

Alfredo gosta de montar a barraca dentro da caçamba da camionete, porque assim ficamos longe dos bichos e da umidade. Nesses campos aberto tem muitas cobras e sapos. E eu morro de medo de cobra. 
O caniço tem multifunções, serve para pescar o jantar e também faz as vezes de candelabro para iluminar a mesa. Alfredo fez todo acampamento com luz de LED, sustentado por bateria de carro.


Esse era nosso prato preferido no acampamento. Peixe assado com cebola e batata. A receita está aqui.










Até a próxima se Deus quiser...

 Anajá Schmitz

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Histórias de Solidão...

Desde que me conheço por gente, me lembro de Solidão. Quando acabava a colheita da cebola em dezembro, passávamos as festas de final de ano  e já nos aprontávamos para ir para praia. Essa preparação levava meses. Minha mãe fazia compotas de doces, chimias e o melhor de tudo o lombinho de porco na banha. Quando carneávamos um porco, era feito a banha e deixava uma sobra no panelão de ferro para fritar o lombinho. Depois de fritar bem, o lombinho era guardado numa lata cheia de banha. Ali se conservava por anos. Nas férias degustávamos dessa iguaria de luxo. O lombinho era fatiado em finas camada e colocado sobre o pão e um pouco da banha. Meu pai comia acompanhado de um copo de vinho. A nós crianças era deixado tomar uma vez no dia, um pouco de vinho misturado com água e açúcar. 
Hoje de malas prontas estamos partindo para Solidão, para passarmos o carnaval. Desejo lhes um ótimo feriado e que Deus proteja a todos. Até a volta.


















Aqui a natureza segue longe da destruição do homem. Na verdade um homem destrói enquanto toda a população sofre as consequências. Os predadores estão cercando nosso litoral e infelizmente estamos a merce desse processo. Por enquanto esse é o paraíso de Alfredo. 


Até a próxima se Deus quiser...

 Anajá Schmitz

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Um lixo que virou luxo


Olá! Enquanto o mundo gira e as loucura da vida acontecem, aqui no campo, os dias passam na maior calma, sem as maldades dos grandes centros e nem as grandes catástrofes da natureza. As tardes passam preguiçosa a espera de novidades. Outro dia quando estávamos passando por uma rua da cidade encontramos esses lindos banquinhos jogados a espera de alguém que lhe desse uma nova vida. Agora tenho uma concorrente para juntar coisas. Minha filha. Que logo perdeu a timidez e juntou os bancos. Levei para casa, pintei e coloquei um futon. Do lixo virou um luxo. Dei de presente para a casinha deles. Os noivos ficaram muito felizes.









Até a próxima se Deus quiser...

 Anajá Schmitz

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Carne frita e muita história ...


A vida de nós gaúcho é muito diferente do resto do país. Começando pela alimentação. Nossa comida campeira é muito calórica e tem como base muita carne. Se não tiver carne eu não sei cozinhar. 
Outra diferença é o nosso palavreado. Eu não vejo muita diferença, mas quando viajamos não consigo entender a tamanha estranheza que as pessoas veem em nosso jeito de nos comunicar. Dizem que falamos cantado. Mas a unica diferença que noto e o volume. Gaúcho não fala, grita. Aqui em casa quando nos juntamos, todos falam ao mesmo tempo. Quem vê de fora se assusta. Pensa que a peleia está formada. Antigamente, todo morador do interior mandava seus filhos para cidade para estudar. Quando chegávamos em casa, agente queria se aparecer e falar como gente da cidade. Ai vinha as gírias. Até hoje rende muitas risadas, de grosso falando moderno. Ai surgiu os cola fina, acredito que seja os chiques. Mas na época para mim era um insulto. 
As gírias Gaúchas são criadas com intuito de fazer humor, segredo, facilitar o entendimento ou até mesmo distinguir um grupo dos demais. Aqui temos diversas gírias Gaúchas que você já deve ter ouvido no dia-a-dia e pode ter ficado com dúvida sobre o significado de alguma delas.

Guri – Menino
Naco – Pedaço
De cara – Chocado
Tchê – Surpresa
Taita – Destemido
Baia – Casa
Baita – Grande
De canto – Discretamente
Mas na minha terra, Solidão,  era diferente. Agente falava querendo parecer chique, algumas palavras sofriam uma perdas de letras no caminho. Ou então na banzidade do falante se criava outra palavra:

Banzo - tonto, boca aberta;
Floreado _ quer dizer que ficou com vergonha;
Bagual _ quando a coisa é fenomenal;
Charresma caneleira - reto escavadeira ( essa palavra me traz saudosa recordação, pois o nosso segundo pai, Mento, que falava sempre, ele criou outra palavra para definir a palavra correta)
China  ou chinoca- esposa, namorada;
Prenda - modo carinhoso de chamar a esposa;
Faceiro - contente;
Inticar - irritar;
Juntar os trapos - casar;
Lagartiá ou lagartear -  ficar ao sol no dias de inverno;
Lamber a cria  - mimar o filho;
Manotaço - sujeito sair dando murro;
Matear - Tomar chimarrão.
Me caiu os butiás do bolso - Ficar chocado, decepcionado, surpreso.
Minuano - Vento frio que vem do sudoeste.
Olhar de revesgueio - Olhar atravessado.
Vivente - Indivíduo.
E tantas outras que podem encontrar AQUI.

Segue imagens de uma comida campeira feita no fogão a lenha. Espinhaço de carneiro frito. 








  Aipim frito e carreteiro de charque




Até a próxima se Deus quiser...

 Anajá Schmitz

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Jogo americano....



Olá queridos amigos! Espero que todos estejam bem e felizes. Ando meio atordoada nos afazeres. Essa vida no campo nos toma muito tempo. Pois tudo é feito por nós mesmos. Aqui mesmo que quiséssemos não encontraríamos ajuda nos afazeres da casa. Hoje em dia não há mão de obra. Temos que faxinar, cortar grama, pintar e ainda construir nossa casa. E sempre temos tantos planos, a lista só cresce. hahaha
Essa linda arte que aprendi a fazer me enche de alegria. Que coisa mais rica, emendar panos e bordar e no final ver uma obra pronta. Eu sento e fico horas admirando e não acredito, que fui eu que fiz. Como a criatividade aparece quando se pratica.






Até a próxima se Deus quiser...

 Anajá Schmitz