sexta-feira, 11 de julho de 2014

Memórias de um doble chapa II


A 1ª morada

Dom Oralvino e Dna Leocádia foram morar num tipo de casa comum aqui na região, aos recém casados da época. Ou seja, um Rancho de Torrão (blocos de terra com um lado gramado, medindo aproximadamente 40 x 30 x 30 cm.) sobrepostos com o lado gramado para baixo, compunham as paredes, as madeiras de eucaliptos e as ripas de taquara (bambu). A cobertura era de capim Santa Fé. As paredes se rebocavam com as mãos com barro (argila) Torrão e capim davam um isolamento térmico fantástico, fresquinho no verão e quentinho no inverno. Essa casa tinha somente dois cômodos. Quarto e cozinha. O assoalho era de chão batido (argila). Contava minha mãe que fogão a lenha só possuíam os fazendeiros e algum arremediado o que equivaleria a classe média, muito rara. O fogão quatro bocas do povão, era uns arames amarrados nos caibros com um gancho na ponta onde se penduravam as panelas de ferro. Com o fogo feito com lenha em baixo. Os muitos pobres que não tinham eucaliptos perto nem mato queimavam ramos de ervas campeiras e principalmente Esterco Seco (vulgar bosta de vaca). Todo moço para casar tinha que saber fazer seu rancho de capim e torrão. Há pouco tempo, minha irmã mais velha me contou, que eu nasci nesse rancho. O que me deixou cheio de orgulho. O Casal tinha um sonho. Trabalhar duro e comprar um pedaço de campo. Aliás, toda a Cordeirada era composta de pequenos proprietários de 10 a 60 hectares de terra. Papai era o mais forte, pois chegou a 86 hectares, com 100 bovinos, sete cavalos, em torno de 100 ovelhas.
Neste site encontra como eram feitas as construções de torrão.



 Imagens da campanha, Santana do Livramento. Essa são as terra que nasceu  a família Cordeiro.




Na próxima sexta-feira, segue mais recordações de um doble chapa.
                                                                                                Nelcy Cordeiro

Até a próxima se Deus quiser...

 Anajá Schmitz

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Uma troca muito especial


Olá,queridos amig@s! Outro dia no blog da Silvana do blog Recicla e Cria, teve uma brincadeira muito interessante. De participar de um sorteio para trocarmos nossas artes. Ela formou pares para trocarmos alguma coisa que fazemos e também fazermos novas amizades. Eu não conhecia a pessoa que juntas formamos um par. Que menina linda e amorosa. Ela tem uma família linda, e também uma pessoa super criativa e de muito bom gosto. Essa semana tive uma grande alegria ela enviou uma caixa enorme, cheia de mimos e muito carinho. Ela pensou em tudo. Enviou belíssimos trabalhos feito por ela  e também mimos especiais. Um kit massagem maravilhoso. Parece que ela adivinhou sobre minhas dores nas costas. A Juliana do blog Juni Biscuit,  já está presente em nossa vida. Obrigada pelo carinho, espero que um dia possamos nos encontrar pessoalmente. Quem sabe ela aparece por aqui.












Esse kit Cookies, farei no fim de semana e mostrarei para vocês num próximo post.















Até a próxima se Deus quiser...
 Anajá Schmitz

terça-feira, 8 de julho de 2014

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Esta semana tive uma grande alegria, recebi um Tag para completar a frase da amiga blogueira Paty do blog De tudo um pouco.  Segue perguntas com minhas respostas. É muito difícil falar o que pensamos e esperamos de um mundo melhor. Temos um país lindo com pessoas maravilhosas e estragado por poucos, até quando vamos tolerar essa influencia negativa em nosso Brasil.

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O mundo seria muito mai feliz  se ...
Houvesse mais fraternidade e menos corrupção.
Uma amizade é realmente importante quando... 
Toda amizade é importante, cada uma tem sua qualidade e sempre nas horas que precisamos, eles aparecesse como anjos, para confortar qualquer situação.
Paciência e tolerância são para mim ...
A base da boa convivência entre seres humanos.
Algo que me irrita profundamente é ...
É muito difícil me irritar, brigo comigo mesmo pelos erros que cometo, mas uma coisa que me deixa muito triste é ver a corrupção desfreada em nosso país, políticos tirando da população o direito de viver com dignidade.
Acho que as pessoas mais humildes ...
São um aprendizado para minha vida.
Quando o dia amanhece nublado eu ...
Viro para o lado e durmo mais um pouco.
Uma qualidade indispensável nas pessoas é ...
Ser fraterno com seu próximo, qualidade que temos de sobra em nosso país.

Heart tag
Aqui segue  minha lista, coloquei três meninos, que admiro muito e  novas amigas que conheci recentemente. Mas fica o convite, para aqueles que quiser participar, serão muito bem vindos.   

  • Pedro Coimbra: http://devaneiosaoriente.blogspot.com.br/
  • Xico Almeida: http://xicando.blogspot.com.br/
  • Prof.Pedro: http://eusabiaetusabias.blogspot.com.br/
  • Ana:http://roccana2.blogspot.com.br/
  • Amigos das 11h:http://amigosdasonzehoras.blogspot.com.br/
  • Adriana:http://adrianacomcomidaeartes.blogspot.com.br/

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Até a próxima se Deus quiser...
 Anajá Schmitz

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Memórias de um doble chapa I


AS ORIGENS
     Doble chapa é uma gíria que identifica o sujeito cujos pais são um brasileiro e outro uruguaio, por extensão é chamado todo aquele que nasce na fronteira oeste do RS. A expressão doble chapa veio dos automóveis em Livramento-RS, que para circular em Rivera no Uruguai, e vice versa, cidades separadas apenas por uma rua que é linha divisória dos dois países, tinham que ter as duas placas. Os uruguaios os chamavam de Doble chapa.
     Sou filho de pai brasileiro e hijo de madre oriental. Diz a música nativista. Uma castelhana de Minas de Corrales – Uruguay. O pai de minha mãe, veio para o Brasil para trabalhar de chacareiro de uma fazenda. Ela e seus irmãos ajudavam no cultivo. Na colheita do milho, as mulheres guardavam as palhas mais sedosas e a noite as aparava e formava maços os quais trocavam por cortes de vestido de chita com o Mascate, para ir aos bailes, umas das poucas maneiras dos jovens se conhecerem e casarem. Sem gastar nada com hospedagem o mascate (Vendedor ambulante com uma carroça normalmente puxado por mulas) ia de propriedade em propriedade vendendo sua mercadoria. Dai o ditado (mais viajado que cachorro de mascate) Obs. ninguém cobrava alimentação de um viajante na campanha gaúcha. Os Sírios Libaneses enriqueceram vendendo roupas aos camponeses. Certa feita chegou um desses na nossa casa com duas malas enormes, a pé, e começou uma chuva que durou uma semana e ele ficou hospedado de graça por todo esse tempo. 
     Na estância de Dom Leopoldo Schilling onde eu também acabei casando, casou-se a Castelhana com Dom Oralvino Machado Cordeiro natural do Rincão dos Cordeiros, 3º distrito de Livramento, dito Rincão, tinha esse nome porque todo mundo era parente ou aparentado, até hoje existe um colégio estadual onde a maioria absoluta dos alunos era desse sobrenome. Certa feita um piá que começava a aprender geografia, perguntou ao pai gaudério onde ficava o Rio Grande do Sul, ele respondeu que eram aquelas terras ao redor do Rincão. No horário de aula via-se a cavalhada dos alunos amarrada no aramado. Meus 4 irmãos mais velhos iam cada um com seu cavalo, como não sobrava cavalo manso pra mim, eu estudava em casa com minhas irmãs. O colégio ficava em uma área de terra a beira da estrada municipal, inserida nas terras da dita fazenda do Sr Leopoldo Schilling, que doou o local para construção da escola. As professoras eram moças, as vezes rapazes com um bom desempenho escolar. Contratadas pelo município para o magistério rural. Hospedada gratuitamente na casa de um dos alunos. Em Osório-RS, encontrei o professor Turíbio (bom na gaita de boca) formado na Escola Rural e mandado para aquele fim de mundo, mas guardava gratas lembranças dos bailes que meu tio Mindongo fazia, onde se hospedara nas cercanias do Colégio, morreu velho sempre comentando sua passagem pelo Rincão dos Cordeiros. 

Na próxima sexta-feira, segue mais recordações de um doble chapa.
                                                                                                Nelci Cordeiro

Fronteira entre Livramento-RS e Rivera-Uruguai


Rivera


Até a próxima se Deus quiser...
 Anajá Schmitz