sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Memória de um doble chapa XVI



A VOLTA

Já havia visitado meus pais após 2 anos, mas não me animei e falar-lhes dos maus tratos sofridos. Certa feita meu pai foi a Montevidéu me ver, guardei silêncio sobre o que se passava comigo. Minha única alegria era quando uma prima casada com um engenheiro me levava para sua casa, para me dar uma folga dizia ela. Na sua casa eu ficava no céu, no paraíso. Logo que retornei para casa de meus pais, senti a necessidade de trabalhar. Fui trabalhar numa granja de arroz cujos proprietários eram descendentes de alemães. Entre eles só falavam o alemão. Eles estavam de partida para Rosário do Sul e eu quis ir junto, como era menor de idade meu pai me acompanhou. Fui morar na casa do gringo gerente, tinha certa amizade com meu pai, pois o velho certa vez mandou fazer um açude no campo e plantou dois hectares de arroz, como era terra virgem colheu um arroz de alta qualidade, e papai vendeu fiado para eles, pois tinham chegado com as famílias e eram muito pobres. Enriqueceram plantando arroz. Eram 7 irmãos incluindo um já falecido. As alemãs cuidavam da casa, criavam galinha, engordavam porcos e ordenhavam vacas. Plantavam uma horta de dar inveja. Eu trabalhava muito. Com 15 anos carregava um saco de arroz de 50 kg na cabeça ou no ombro. Um médico ultimamente ao ver uma radiografia minha perguntou se eu havia feito força na infância. Disse que eu tinha as veias do pescoço dilatadas. Também pudera! Na granja eu era da chamada turma das casas, isto é, mensalistas, o grosso do pessoal era contratado na plantação ou colheita. Trabalhei em cima das máquinas de ceifar. Nesta trabalhavam o condutor, o ensacador, o que costurava o saco e uma criança para enfiar a agulha. O costurador ia derrubando os sacos costurados em uma calha, a cada quatro sacos puxava um corda e derrubava-os no chão. A seguir as carroças de bois iam recolhendo os sacos até um terminal, aonde tratores com reboques os conduziam até o secador.


Na próxima sexta-feira, segue mais recordações de um doble chapa.


                                                             Escrito por Nelcy Cordeiro

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Reciclando madeira


Olá! Esse dois vasos Alana ganhou de presente com flores naturais. Ela ficou com pena de colocar fora. Esses vasos rolavam pelo galpão. Pedi ao Alfredo para aparafusar nessa tábua que peguei na casa do Ricardo e a outra é uma caixinha que veio com morango. Passei um verniz e já está pronta para enfeita a futura casa dos noivos.






Ade aprendeu a gostar de pimenta. Essa plantinha ele cuida com muito carinho para em breve saborear sua plantação.

Até a próxima se Deus quiser...

 Anajá Schmitz

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Flores e chimarrão

Sempre a mesma liturgia
Do chimarrão do meu povo,
Há sempre um algo de novo
No clarear de um outro dia,
Parece que a geografia
Se transforma - de hora em hora
E o payador se apavora
Diante um mundo convulso
Sentindo o bárbaro impulso
De se mandar campo fora!
                                               Jaime Caetano Braum

Assim segue nosso dia a dia no campo, mateando. Me vicie no mate amargo, ele é um ótimo companheiro para ajudar passar o tempo. Também dizem que ele é estimulante da atividade física e mental, atuando beneficamente sobre os nervos e músculos eliminando a fadiga. É considerada um ótimo remédio para pele e reguladora das funções do coração e da respiração, além de exercer importante papel na regeneração celular.





Até a próxima se Deus quiser...

 Anajá Schmitz

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

O que será deste país?

                                                                                                                                               
O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Ministro Dias Toffoli, afirmou que essas eleições foram as mais tranquilas dos últimos tempos. Quanto ao processo de votar sim, mas também foi umas das eleições mais decepcionante para os brasileiros, principalmente do Sul do país.
Enquanto uma boa parte do Brasil não conseguiu esconder sua revolta sobre a questão da Corrupção no governo, a outra parte, se esforçou em manter o governo atual, revivendo a política do dando que se recebe, tendo em vista as mais diversas formas de compra de votos intituladas de “bolsas” seguidas de ameaças de extinção destas famigeradas “distribuição de renda” a moda Robin Hood, com a diferença de que quem fica com a maior parte são os que se dispõe a dar a maior “contribuição” partidária.
Assim o Governo Dilma vai se mantendo no poder para dar as migalhas para o povo e ficar com a maior parte dos absurdos impostos a que somos submetidos.
Esse fato, deixou mais evidente a disparidade entre as regiões econômicas do Brasil, fazendo ressurgir um desejo adormecido, o “Apartheid”. 
No século XIX, os gaúchos travaram uma longa batalha contra o Império do Brasil durante a Guerra dos Farrapos. Esse episódio histórico, pregava o separatismo do Rio Grande do Sul em relação ao resto do Brasil, exatamente por discordar das decisões políticas de protecionismo ao norte, em detrimento ao sul do país, que pagava altos impostos e tinham parcos serviços a disposição, sem ao menos ter o reconhecimento do governo central.
Assim como na instituição familiar, o filho mimado tem mais dificuldades em superar sua fraquezas, exatamente por não ter de se esforçar, o que não é tutelado e assistido, tende a se sobressair pela sua própria força, acentuando ainda mais essa disparidade entre os irmãos e, por analogia, as economias regionais. 
A existência de movimentos para a constituição de um estado independente no sul, não é novidade alguma. Há os que sonham com a construção do país Farroupilha, a República dos Pampas, ou o Estado Rio-Grandense.
Há também os catarinenses e paranaenses que compartilham ideais separatistas e lutam pela criação de uma união federalista entre os três Estados, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina, para formarem um só país, já que nossas riquezas são distribuídas além de nossas fronteiras.
Hoje temos um Estado falido, a estrutura Estatal está corrompida, não temos infraestrutura viária, a saúde e deficiente, e o pior, o futuro está comprometido pela falta de incentivo na área da educação, que antes em nosso Estado, era referência a todo país, e hoje, é a vergonha nacional. Temos alunos do curso superior que não sabem escrever corretamente a nossa língua pátria. Deve-se re atentar neste comentário, a mera visão panorâmica da conjuntura política imposta principalmente pelo governo central, e não se tem pretensão alguma de discriminar a sociedade brasileira em geral, pois é justamente a mais prejudicada pela política do "é dando que se recebe".
Desculpe o desabafo. Em nossa vida simples do campo, parece que nada disso nos afeta, mas mexe com nossa alma e nos torna prisioneiro de algo oculto. Nossa rotina continua a mesma, todavia nos faz ver como somos pacatos e passivos...   






 




Até a próxima se Deus quiser...

 Anajá Schmitz